quinta-feira, 29 de julho de 2010

Por que ENVELHECER é diferente para homens e mulheres?

Envelhecer é desesperador para boa parte das mulheres. Há seios para serem demolidos, lábios a serem escondidos e nádegas com a promessa de decadência. Enquanto boa parte dos homens fazem ar blasé para velhice. Eles ganham charmosos pés de galinha que, por vezes, só realçam sua experiência e vivacidade.

Vocês já pararam para observar uma mulher e um homem da mesma idade? No segundo que você observá-los vai achar quase sempre que o homem é mais novo. Outro dia, eu estava assistindo à propaganda do Toddy onde o garoto diz que vai passar 1 ano fora e a garota pergunta se ele vai ser fiel. JURO, eu JU-RO que na hora que vi a imagem dos dois pensei que ela fosse a mãe dele.

Os homens têm esse quê de liberdade, essa desimportância leve da velhice. Eles olham no espelho e mal reparam que há degradação aqui ou ali (Excetuando-se aqui a virilidade sexual, ok?). Claro que há percalços para o envelhecimento precoce e NOTÁVEL, um deles é o interior, a jovialidade. Comparo bem esse fato com minha mãe. Ela tem 60 anos e tem uma amiga de 50 anos. Minha mãe parece ser a filha dessa pessoa de 50 anos. Tudo porque minha mãe é sorridente, disposta, caminha todos os dias e não vive se lamentando.

Mas onde eu quero chegar com essa coisa? Os homens parecem mais jovens por que enxergam a velhice com desdém? Os homens parecem mais jovens por que lidam com os problemas de forma mais despreocupada que as mulheres? Ou seria por que já nascem livres, soltos, desde as vestimentas aos ímpetos sexuais?

Ou será que a maquiagem e os renews que jogamos na cara para disfarçar a coisa toda ressaltam a velhice? Não sei.

Postado por Zingara às 00:04 8 comentários

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As fases da vida contadas em festas

Há algum tempo, uma amiga me ensinou que a vida pode ser contada em festas.

Calma, não estou falando da sua amiga que fica bêbada e acaba contando tooooooda a vida pra você. Não, não.

Estou falando da linha do tempo dividida entre as festas que fazem parte da nossa evolução humana.

Explico: Durante toda a nossa vida, haverá uma época para cada tipo de festa. Por exemplo, tudo começa na sua festa de 1 ano de idade. Você não se lembra de absolutamente nada, mas há inúmeras fotos e vídeos que registram a ocasião. Este festa é sua só no nome, pois vão apenas os amigos dos seus pais, os filhos dos amigos dos seus pais e os parentes dos seus pais. A única coisa sua é a foto do convite. E os presentes.


Logo depois vêm as festinhas na escolinha, êêêêê! \o/ Dessa vez você tem algumas lembranças: salgadinhos, brigadeiros, refrigerante, chapeuzinho, professora e coleguinhas reunidos em volta das carteiras que foram juntadas para formar uma mesa só.

Ainda na fase da escola, também existe as festas na casa dos amiguinhos. É lá que provavelmente você irá aprender a avacalhar na hora do parabéns, brincar de verdade ou conseqüência, sendo a “verdade” ter que dizer o nome do (a) menino (a) que você gosta e a “conseqüência” ser “pagar um mico”. Mais tarde essas brincadeiras vão evoluir para Salada Mista e 7 Minutos no Paraíso.


Passada essa fase, começa a temporada das festas de 15 anos. São nelas que você vai saber se é popular ou não pelo número de convites que recebe. São nelas também que você toma seu primeiro porre e acha que “15 anos” também é micareta. Descobre também que all star com terno é original. Nessa fase você também aprende a entrar de penetra nas festas em que não foi convidado. E no dia seguinte, você sabe o que é ter ressaca e como esconder dos seus pais que você bebeu (muito) na noite anterior.

Depois vêm as formaturas do 3º ano. Aí você já está “mais velho” e sabe que algo muito bom está por vir: a faculdade. Aí você se joga na pista. Nessa fase, alguns já descobrem que all star com terno é mais comum que gergelim em pão de hambúrguer. Outros, ou ainda acham que é “alternativo”, ou sinônimo de estilo. Tsc tsc.

Nas formaturas de 3º ano você também descobre o whisky com energético e o que é acordar com gosto de guarda-chuva na boca. Os belo-horizontinos descobrem também o pós-festa no Mercado Central.


Passado o 3º ano, agora você está na faculdade e é a vez das festas universitárias. É agora que você descobre o bar do outro lado da rua e que pode sair no meio da aula para ir pra lá. Descobre também que dá pra sair durante a semana e ir direto pra aula depois da festa. Sem contar as calouradas onde 90% dos presentes não são calouros, mas veteranos atrás de calouros para “dá uns pega” e que encontro de estudantes e congressos não são apenas para estudar e aprender novas técnicas do curso, mas que renderão boas histórias e risadas. E que festas universitárias são as mais baratas e divertidas de todos os tempos.


Como tudo que é bom dura pouco, a faculdade um dia chega ao fim e é hora de virar gente grande de verdade. E começa pela festa de formatura! É lá que você relembra todas as festas memoráveis, as pérolas que soltaram na sala de aula, os professores que passaram, mesmo que você não se lembre muito bem deles, e que descobre que os amigos feitos durante os 4 anos (em média) são os mais verdadeiros.

Lá você descobre que se você já não estiver empregado, você tá f*&$#@o e que se estiver, você terá responsabilidades muito maiores (ou seja, também estará f*&$#@o).

Descobre também que não haverá mais a desculpa “sou universitário e posso cometer erros” e que um erro seu pode te colocar no meio da rua.

E claro, descobre que terno com all star é ridículo.


Recapitulando: aniversário de um ano, festinhas na escolinha, festas de 15 anos, festas de formatura do 3º ano, festas universitárias, formatura da faculdade... Pela ordem da evolução humana, o próximo estágio seriam as Festas de Casamento. Esta sim é uma fase complexa.

Porque, ora bolas? Eu sou casada (o) e não me arrependo!

Calma, sua besta desesperada! Eu não estou falando que casamento é ruim e que a vida de solteiro é melhor. Falo ainda da linha temporal.

Vejam bem: agora você de fato é um adulto e deve arcar com as conseqüências da vida adulta. Você terá que zelar pelo seu bem-estar e pelo bem-estar do seu cônjuge, terá que pensar um zilhão de vezes antes de fazer algo que possa afetar alguém que não seja você, e claro, qual é o próximo passo, hein hein? Não que isso seja ruim, só uma transformação de vida mais séria. Não que eu tenha de fato alguma experiência no assunto, mas foi assim que meus pais me ensinaram.

Para escrever esta parte, utilizei meus (poucos) conhecimentos sobre o assunto e precisei pedir ajuda azamiga já casadas.

Nas festas de Casamento, você descobre que Trouxinha e Quirche são a mesma coisa que coxinha e empadinha, só que com nome mais elegantes. Descobre também que não importa quão eficaz seja o sistema de segurança, sempre haverá um penetra. E que boa parte dos seus convidados você não faz a menor idéia de quem seja, só chamou por que sua mãe fez questão ou por educação.

Verá também qual dos seus amigos será o próximo a subir no altar, qual deles ainda parou nas festas universitárias e quais serão os solteirões. As mulheres que ainda não casaram, ficarão com uma pontinha de inveja da noiva, e os homens, solteiros ou comprometidos, ficarão receosos quanto ao dia que serão eles a casar e quais idéias a sua acompanhante está tendo a partir daquilo. E se você for madrinha/padrinho, descobre que terá um belo furo na conta bancária por causa do presente de casamento e, no caso da mulheres, do vestido (mas que mesmo assim, será uma honra).


Nascer, crescer e...reproduzir!

É mano, você tá ficando velho... ainda ontem você estava na escolhinha cantando parabéns pra você e com quem será com seus amiguinhos e hoje você está comemorando o aniversário de um ano do seu filho! Parabéns!


As próximos etapas você já conhece, basta acrescentar "DO SEU FILHO" em cada tópico apresentado.

Claro que há pessoas que não seguem essa ordem cronológica e acabam não formando, reproduzindo, comemorando o aniversário de um ano do filho, casando, entrando na faculdade, formando na faculdades e reproduzindo de novo, mas qual o problema?





(Parafraseando a @bbel)

Para me chamar de maluca: claris@corporativismofeminino.com
Para ler minhas maluquices: @claris_simao
Postado por Claris Simão às 00:45 10 comentários

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Enquanto isso, no MSN...

Devido a uns fatos recentes comecei a repensar essa história de bate papos online. Cheguei a algumas conclusões do que me desanima completamente de usá-los. Lógico, têm lá suas facilidades, tenho amigos que moram longe e acaba sendo o único jeito de manter um contato mais freqüente com eles. Mas como em tudo na vida, acontece que o problema não está no programinha em si, mas nas pessoas que fazem uso mongol dele. Bom, vamos ao que me irrita. Gente que...
- Usa como muleta

Me irrita muito esse povo sem coragem que usa o MSN para se esconder. Sabe aquele amigo que te chama pra sair toda semana pelo chatzinho e nunca liga pra marcar, nunca nada? Ou, aquela bem clássica, do carinha que termina com você por MSN ou que só consegue vir falar “verdades” se for por intermédio do chat. Gente! Olhem bem, vocês que fazem isso, acham realmente que vão poder encarar os problemas da vida sempre desse jeito? Por e-mail, por MSN? AFF! Sinceramente, né? Puta falta de respeito, de consideração.

- Usa Nick pra mandar recadinho mal amado pra alguém


Sou totalmente contra qualquer demonstração de despeito. Acho o fim da picada quando vejo o ‘nick’ de algum amigo meu com uma música ou uma frase que está na cara que é para alguém. Ou até tem uns que querem provar pra sei lá quem que estão SUPER se divertindo, já viram? Afinal, forçar pouco a barra é bobagem, né? Dica para você que faz isso: Gatenha(o), você não precisa se afirmar para ninguém em mídia nenhuma! Sua vida está aí para você reparar nela e, de qualquer forma, você não pode controlar o que uma pessoa pensa de você. Quer que ele (a) acredite que você está se divertindo, se divirta, fique mais leve que dará para perceber. Não será um Nick de MSN que vai mudar sua vida e fazer as pessoas realmente acreditarem que é tudo isso. Mais confiança!


- Te deixa falando sozinho!


Falta de educação é falta de educação em qualquer espaço, real ou cibernético. Eu sei que às vezes é complicado, alguém chama, toca o telefone, mas sei lá, eu sempre procuro avisar a pessoa, “só um minutinho”, “já venho” e tal. Ok, eu sou facilmente irritável, mas acho que todo mundo concorda que ficar falando sozinho em qualquer lugar é horrível e no MSN, não é diferente. Ainda pior, quando é aquele paquera e você super já acha que o bichinho te odeia e que está te ignorando de propósito (o que pode muito bem ser verdade!). O que tem de gente que ignora pra pagar de gostoso não tá no gibi e, vamocombiná, tem que ter muita inspiração nessa vida, viu?!

- Fica entrando e saindo pra chamar atenção

Em um coro frenético, mais confiança, galera! Vou confessar que já fiz isso também, mas quando vi alguém fazendo e sabia que era para chamar a minha atenção, achei tão uó que resolvi nunca mais fazer. Ah, e quem não tem nada a ver com a história e tá lá online, tem que agüentar você entrando e saindo incessantemente. É muita apelação! Se a pessoa quiser falar com você, fica online e fica tranqüila que ela virá. Se não veio, é porque, simplesmente, não quer! Não será a janelinha que aparece do lado quando você entra que irá convencê-la.


Bom, esses são alguns dos motivos que me dão vontade de bloquear geral, no MSN, tá ligado, mano?


E vocês, lidam bem com essas coisas? Fazem igual? Vão deixar de fazer depois de terem lido isso? Compartilhem!


Follow me: @omerengue !!


Postado por Thaís Prado às 01:05 15 comentários

sábado, 24 de julho de 2010

Pais... Vai entendê-los!

Você está ficando velha...


Foi o comentário da Bel no post anterior "tinha um sentimento fraterno de pai/irmão por você. E daqueles que não querem aceitar q a filha/irmã transa." que me inspirou a escrever o post de hoje.
Quando somos adolescentes nossos pais, irmãos, tios, avós, primos e etc. se recusam a aceitar o FATO: nós crescemos e passamos a ter hormônios ativos, ou seja: passamos a nos interessar pelo sexo oposto [ou pelo mesmo sexo se você for homossexual] sentimental e fisicamente. Nos tornamos sexualmente ativas e isso os assusta MUITO. Eu tenho uma teoria do motivo: eles sabem que não prestam ou que quando tinham essa idade não prestavam e logo imaginam que os rapazes por quem nos interessamos e/ou que se interessam por nós, necessariamente, têm as mesmas más intenções. Eu nem tiro completamente a razão deles...

Mas é daí que vem a maioria dos problemas na vida das adolescentes: eles nos tratam como crianças na esperançosa ilusão de nos manter na mesma idade a que eles se acostumaram a nos ver. Só que o corpo não mente! Nos desenvolvemos fisicamente também. Aparecem as curvas. E tudo isso gera muita briga, muito choro e muitos argumentos, dos mais sensatos aos mais exdrúxulos de todas as partes [da garota, do pai e do namorado]. A mãe geralmente tenta aplacar a confusão, mediar a situação, argumentar de ambos os lados se mantendo meio em cima do muro. A garota fica com medo do pretendente desistir, pensado 'ela não vale tanto esforço'. Querendo eles ou não, é o curso natural da vida. É o que acontece com a maioria de nós. E aqui é importante frisar: maioria. Não todas!

Eu não passei por isso. Não é que eu não tive adolescência. Não é que eu não tive minhas paixonites. É que eu nunca apresentei ninguém em casa. Ou seja, meu pai nunca teve que lidar com isso diretamente... Assim como nenhum dos meus outros familiares.
Eu não fui criada para casar. Eu fui criada para ter sucesso acadêmico e profissional. Então relacionamentos amorosos sempre ficaram em 2º plano na minha vida. Não acho que isso tenha sido de todo mal, pois me deixou mais forte. Porém, também não foi de todo bem. Minhas amigas-irmãs bem sabem os perrengues que passei.

E é aí que entra o exemplo do filme 'Casamento Grego'. Logo no início do filme a protagonista [desculpem, esqueci o nome dela] está indo para o trabalho com o pai dentro do carro e ele olha para ela e diz: você está ficando velha... [para casar].
Pois é. Os pais tem dificuldade absurda em aceitar que somos tão humanas quanto as outras mulheres que conheceram [inclusive nossas mães], mas ao mesmo tempo querem que seu nome e seu sangue sejam perpetuados e para isso não tem outro jeito. Assim quando a filha está atingindo uma certa idade sem namorar, casar e ter uma penca de pirralhos, eles começam a nos questionar. Mais de uma vez o meu pai já me perguntou quando lhe darei netos. E a resposta?! 'Se quiser, adota. Porque não sei não, viu...'
Eu sempre fico brava quando ele pergunta e ele sempre fica bravo quando eu respondo. O que acontece é que eu não sei se tenho estrutura, tanto financeira quanto pisicológica, para assumir a responsabilidade de cuidar de uma criança totalmente dependente de mim. E realmente acredito que se todos parassem pra pensar nisso antes de ter filhos, o mundo seria um lugar bem melhor! Além disso, ainda me sinto tão jovem e com tantas coisas pra fazer antes... Principalmente me formar e viajar. Viajar muito e para o exterior, coisa que infelizmente ainda não tive oportunidade de fazer.

Se fosse só o meu pai, eu até estaria feliz. Só que uma prima minha já tem uma filha de 10 anos. A outra prima da mesma idade dela casou há 2 meses. Outro primo já está com tudo marcado para o ano que vem. Preciso dizer que agora todo mundo pergunta: 'E você, Cris?'? Eu? Reviro os olhos e desconverso. É incrível como esse assunto perturba e incomoda as pessoas! Por que a minha vida faz tanta diferença assim para eles?! Por que a nossa sociedade ainda se escandaliza tanto com uma mulher solteira e com ambições profissionais à frente de 'ser mãe'? Ser humana, na minha humilde opinião, vai muito além disso... Vai muito além de simplesmente seguir instintos.

É engraçado ver como as mesmas pessoas que até bem pouco tempo [eu considero 10 a 7 anos pouco tempo] nem sequer concebiam a idéia de que eu poderia namorar e tudo o mais que isso implica, agora não suportam a idéia de me ver bem e solteira. No mínimo pensam 'coitada'. O filme que eu citei mesmo mostra esse esteriótipo: antes de encontrar seu príncipe ela era feia, mal tratada, desengonçada, tímida e triste. Não me sinto assim!

Eu até posso vir a namorar formalmente, porém daí a juntar escovas e gerar decendentes, vai uma loooonga distância. Não me atrevo a afirmar categoricamente nem que sim e nem que não. A minha realidade atual é completamente diferente dos planos que fiz 10, 5 anos atrás... Então, quem sabe o que pode acontecer?!

Agora, pensemos de forma não tão egoísta: num mundo cheio de mazelas [principalmente fome] e mais de 6 bilhões de pessoas, será que é realmente sensato que todos, necessariamente, procriem?!
Será que já não crescemos e nos multiplicamos além do que a Terra tem capacidade de nos aguentar?!

De qualquer forma, eu já dei 2 netos aos meus pais e que já dão trabalho suficiente, rs:

 

Bom, meninas... Agora me vou que tenho um filme pra fazer ainda hoje. Depois comento como foi e se deu certo lá no meu blog.
Postado por Cris Soleitão às 11:57 17 comentários

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meu Melhor Amigo OU Sexo fode com tudo

Eu o conheci aos 15 anos, quando ele tinha a barriga cuidadosamente polida pela capoeira. Aos 16 anos de idade, ele acabara de chegar ao Nordeste e lutava para se acostumar ao úmido litoral quente. Tinha roupas de flanela que não eram mais adequadas no seu novo lar, mas insistia em pôr uma e outra enquanto borbulhava pelos poros de calor. Ele era misterioso e apaixonante, com uma falha certeira na sobrancelha. Escrevia, desenhava bem e conseguia me deixar furiosa instigada com suas discussões. Tudo começara quando discutíamos INDIVIDUALIDADE. Ele acreditava que existia, eu não. Mas depois de meses andando em círculos, descobrimos que ele falava do termo filosoficamente. Eu, sociologicamente. E, claro, não iríamos chegar em ponto nenhum.

Eu me apaixonei perdidamente, enquanto ele fazia sexo com uma de nossas colegas e galanteava todas as garotas da minha turma. Ia me buscar sempre depois das aulas para escrevermos, ou lermos o que cada um tinha escrito. Ele me mostrava seus desenhos e eu escondia meus sentimentos. Depois lhe mostrei o seio esquerdo numa de nossas bebedeiras adolescentes. Ele me ensinou muito cedo que os homens são covardes com as palavras. Por que ele nunca disse simplesmente "eu não vou te comer" ao invés de ficar ao meu lado todos os dias da minha adolescência torturante?

Nas férias, o ritmo de nos encontrarmos depois das aulas foi extinto. E eu decidi que precisava esquecê-lo. Foi aí que comecei o meu primeiro relacionamento fixo. Não tínhamos assunto, meu namorado escrevia mal, nem sabia desenhar. Não era fascinante, mas todas as minhas amigas babavam ao vê-lo. Ele chamava atenção e eu pensava em sexo quando estava com ele. Era bem legal. O meu amigo brasiliense veio falar comigo e eu quase pude notar a putez por trás daqueles olhos castanhos, dizendo: Que tipo de cara é esse que você está ficando?

Ao invés de 1. Ele me pedir para ficar com ele e largar o namorado ou 2. Me pedir em casamento, ele se afastou de mim. Aliás nesses 15 anos de amizade, já me acostumei a essa conduta. Se estou tendo uma vida sexualmente ativa ele me abandona. Só sou sua amiga quando estou frígida. É assim, foi assim. Quando engravidei não nos falávamos, quando estive com o namorado x, y ou z ele me ignorava. Nunca pude contar-lhe "Estou feliz, ando fazendo sexo quase todo dia", ele nunca esteve lá para ouvir.

Me mudei para sua cidade, Brasília, e ele continuou na minha. Depois de vários anos ele me reencontrou na internet, numa dessas redes sociais - E olha que de social ele não tem nada. Para relembrar os velhos tempos, ele me mostrou seu pau na webcam. Foi divertido, rimos. Éramos como Fred e Wilma, Popeye e Olívia, mas sem sexo. Ele veio a Brasília logo a seguir, circulamos pela cidade sem ter para onde ir. Eu dirigia e o observava, ele tinha agora uma protuberante barriga de cerveja e usava roupas mais adequadas. Estávamos bem próximo dos 30 anos, mas continuávamos afiados em nossa cumplicidade.

Há meses atrás fui à sua cidade, quer dizer, à MINHA cidade - Ele que está enfiada nela e eu na dele. E bebemos, conversamos, brigamos, andamos, lemos, escrevemos e eu tive vontade, com os olhos lacrimejantes, de dizer "Eu te amo, você sabe, não é?". Mas tudo que fiz foi acenar antes de fechar o portão. Toda vez que penso nele, eu quase choro, mas aí lembro de rir. Quase dou uma gargalhada ao lembrar de suas provocações. De como critica sempre meus sapatos: Por que você não pode usar sapatos normais como as pessoas normais? Ou se apareço chorosa por algum fato dolorosamente doloroso, lá está ele dando seu apoio morTal: Porra, eu acho é pouco. Quem mandou (insira aqui algo que eu fiz)? ou, ainda, Você é macho ou não é? Engole o choro, porra! Reviro os olhos e ele abre a boca para mostrar os seus dentes perfeitos. A gente ri e tudo parece pateticamente patético.

Nesses últimos anos ele desenvolveu o péssimo hábito de dar em cima de mim todos os dias da sua vida, somente para ver as minhas faces rubras e as mãos inquietantes. Ainda comenta comigo sobre a bunda ou seios das minhas amigas. E quando eu reclamo, ele diz "Também adoro seus seios, mas você não me deixa pôr as mãos, o que adianta?". Vamos fazer nossa primeira viagem juntos nos nossos 30 e 31 anos. E eu estou verdadeiramente feliz com essa possibilidade.

O fato de amá-lo há 15 anos é tão somente porque nunca fizemos sexo. Trepar com ele foderia a nossa amizade (por mais que essa frase seja de uma contradição galopante).





* Mandem-me cartinhas: zingara@corporativismofeminino.com
* Texto era para ser publicado no dia dos amigos (último dia 20), mas é férias do meu filho e eu estive viajando.
Postado por Zingara às 12:00 21 comentários
 

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