Você está ficando velha...
Foi o comentário da Bel no post anterior "tinha um sentimento fraterno de pai/irmão por você. E daqueles que não querem aceitar q a filha/irmã transa." que me inspirou a escrever o post de hoje.
Quando somos adolescentes nossos pais, irmãos, tios, avós, primos e etc. se recusam a aceitar o FATO: nós crescemos e passamos a ter hormônios ativos, ou seja: passamos a nos interessar pelo sexo oposto [ou pelo mesmo sexo se você for homossexual] sentimental e fisicamente. Nos tornamos sexualmente ativas e isso os assusta MUITO. Eu tenho uma teoria do motivo: eles sabem que não prestam ou que quando tinham essa idade não prestavam e logo imaginam que os rapazes por quem nos interessamos e/ou que se interessam por nós, necessariamente, têm as mesmas más intenções. Eu nem tiro completamente a razão deles...
Mas é daí que vem a maioria dos problemas na vida das adolescentes: eles nos tratam como crianças na esperançosa ilusão de nos manter na mesma idade a que eles se acostumaram a nos ver. Só que o corpo não mente! Nos desenvolvemos fisicamente também. Aparecem as curvas. E tudo isso gera muita briga, muito choro e muitos argumentos, dos mais sensatos aos mais exdrúxulos de todas as partes [da garota, do pai e do namorado]. A mãe geralmente tenta aplacar a confusão, mediar a situação, argumentar de ambos os lados se mantendo meio em cima do muro. A garota fica com medo do pretendente desistir, pensado 'ela não vale tanto esforço'. Querendo eles ou não, é o curso natural da vida. É o que acontece com a maioria de nós. E aqui é importante frisar: maioria. Não todas!
Eu não passei por isso. Não é que eu não tive adolescência. Não é que eu não tive minhas paixonites. É que eu nunca apresentei ninguém em casa. Ou seja, meu pai nunca teve que lidar com isso diretamente... Assim como nenhum dos meus outros familiares.
Eu não fui criada para casar. Eu fui criada para ter sucesso acadêmico e profissional. Então relacionamentos amorosos sempre ficaram em 2º plano na minha vida. Não acho que isso tenha sido de todo mal, pois me deixou mais forte. Porém, também não foi de todo bem. Minhas amigas-irmãs bem sabem os perrengues que passei.
E é aí que entra o exemplo do filme 'Casamento Grego'. Logo no início do filme a protagonista [desculpem, esqueci o nome dela] está indo para o trabalho com o pai dentro do carro e ele olha para ela e diz: você está ficando velha... [para casar].
Pois é. Os pais tem dificuldade absurda em aceitar que somos tão humanas quanto as outras mulheres que conheceram [inclusive nossas mães], mas ao mesmo tempo querem que seu nome e seu sangue sejam perpetuados e para isso não tem outro jeito. Assim quando a filha está atingindo uma certa idade sem namorar, casar e ter uma penca de pirralhos, eles começam a nos questionar. Mais de uma vez o meu pai já me perguntou quando lhe darei netos. E a resposta?! 'Se quiser, adota. Porque não sei não, viu...'
Eu sempre fico brava quando ele pergunta e ele sempre fica bravo quando eu respondo. O que acontece é que eu não sei se tenho estrutura, tanto financeira quanto pisicológica, para assumir a responsabilidade de cuidar de uma criança totalmente dependente de mim. E realmente acredito que se todos parassem pra pensar nisso antes de ter filhos, o mundo seria um lugar bem melhor! Além disso, ainda me sinto tão jovem e com tantas coisas pra fazer antes... Principalmente me formar e viajar. Viajar muito e para o exterior, coisa que infelizmente ainda não tive oportunidade de fazer.
Se fosse só o meu pai, eu até estaria feliz. Só que uma prima minha já tem uma filha de 10 anos. A outra prima da mesma idade dela casou há 2 meses. Outro primo já está com tudo marcado para o ano que vem. Preciso dizer que agora todo mundo pergunta: 'E você, Cris?'? Eu? Reviro os olhos e desconverso. É incrível como esse assunto perturba e incomoda as pessoas! Por que a minha vida faz tanta diferença assim para eles?! Por que a nossa sociedade ainda se escandaliza tanto com uma mulher solteira e com ambições profissionais à frente de 'ser mãe'? Ser humana, na minha humilde opinião, vai muito além disso... Vai muito além de simplesmente seguir instintos.
É engraçado ver como as mesmas pessoas que até bem pouco tempo [eu considero 10 a 7 anos pouco tempo] nem sequer concebiam a idéia de que eu poderia namorar e tudo o mais que isso implica, agora não suportam a idéia de me ver bem e solteira. No mínimo pensam 'coitada'. O filme que eu citei mesmo mostra esse esteriótipo: antes de encontrar seu príncipe ela era feia, mal tratada, desengonçada, tímida e triste. Não me sinto assim!
Eu até posso vir a namorar formalmente, porém daí a juntar escovas e gerar decendentes, vai uma loooonga distância. Não me atrevo a afirmar categoricamente nem que sim e nem que não. A minha realidade atual é completamente diferente dos planos que fiz 10, 5 anos atrás... Então, quem sabe o que pode acontecer?!
Agora, pensemos de forma não tão egoísta: num mundo cheio de mazelas [principalmente fome] e mais de 6 bilhões de pessoas, será que é realmente sensato que todos, necessariamente, procriem?!
Será que já não crescemos e nos multiplicamos além do que a Terra tem capacidade de nos aguentar?!
De qualquer forma, eu já dei 2 netos aos meus pais e que já dão trabalho suficiente, rs:
Bom, meninas... Agora me vou que tenho um filme pra fazer ainda hoje. Depois comento como foi e se deu certo lá no meu blog.